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29/08/2008

BPN Brasil eleva 23% patrimônio de referência.

O BPN (Banco Português de Negócios) Brasil teve aumento de 23,55% no seu patrimônio de referência em junho na comparação com dezembro de 2007, para R$ 65,6 milhões. A razão: os acionistas resolveram capitalizar os lucros de R$ 2,416 milhões acumulados e trouxeram ao Brasil R$ 10,232 milhões de dívida subordinada, que entra como capital no balanço do banco, ficando subordinada ao pagamento dos demais credores.

"Vamos buscar elevar a rentabilidade sobre o patrimônio para 15%, com relação aos níveis em torno de 11% atuais, e propor para os acionistas uma injeção de capital extra para o início do ano que vem", diz Carlos Catraio, presidente do banco. O BPN em Portugal, banco do grupo português SLN (Sociedade Lusa de Negócios), é o principal acionista do BPN Brasil, com 80% de seu capital. Os outros 20% são do Banco Africano de Investimentos (BAI), maior banco privado de Angola, que tem entre seus acionistas a Sonangol, empresa petrolífera governamental.

Após uma guinada no foco de atuação, da pessoa física para a jurídica, e do crescimento agressivo na carteira de crédito, que passou de R$ 121,383 milhões no final de 2005 para R$ 432,05 milhões em junho, o BPN se prepara para um semestre de consolidação. Vai buscar crescer o número de clientes, mas sem ampliar de forma significativa a carteira de crédito que vai carregar em seu balanço. "Somos um banco de crédito: queremos dar lucro, mas ter um crescimento sólido, gradativo e cauteloso nas provisões", diz Catraio.

A idéia, segundo ele, é reduzir custos da captação e alongar prazos, além de diversificar o risco do banco, cortando o valor médio do crédito carregado no balanço por cliente, hoje em R$ 2 milhões. A meta é obter 80 novos clientes pessoas jurídicas neste ano e mais 100 em 2009. Hoje, o BPN Brasil tem crédito ativo com cerca de 200 empresas de faturamento entre R$ 12 milhões e R$ 360 milhões em todo o país. Quando Catraio assumiu o banco, no início de 2006, eram apenas 42. No final de junho, da carteira de R$ 432,054 milhões , só R$ 28,345 milhões (6,56%) eram para pessoa física, área da qual o banco está saindo aos poucos. Em 2005, o crédito para pessoa física representava 52% do total.

A guinada deu certo e desde o segundo semestre de 2006 o BPN, presente no país desde 2003, não pára de dar lucro. Neste primeiro semestre, o resultado foi de R$ 2,146 milhões, em relação aos R$ 2,5 milhões do primeiro semestre de 2007 e de R$ 5,5 milhões do final de 2007.

Na verdade, a carteira de crédito que o BPN carrega no balanço já cresceu em ritmo menor, 5,5% em junho na comparação com o final de 2007. Parte do crédito gerado continuou a ser vendido, diz Catraio. "Sindicalizamos empréstimos por meio de Cédulas de Crédito Bancário para conseguir condições mais vantajosas para nossos clientes", diz Roberto Perez, responsável pelo banco de investimento do BPN.

Apesar do índice de capitalização - relação entre os ativos ponderados pelo risco e o patrimônio de referência - elevado, passando de 12,41% no final de 2007 para 14,26% agora (o mínimo exigido pelo Banco Central é de 11%), o BPN vai manter a cautela. Neste semestre, a idéia é avaliar os reais impactos no balanço das mudanças de regras contáveis previstas no acordo conhecido como Basiléia 2, que começam a ser implementadas agora. "Fazemos sempre uma série de simulações, mas preferimos ver na prática como a Basiléia 2 vai afetar o nosso capital", afirma Luiz Alberto Fortuna Stouthandel, diretor administrativo-operacional do BPN Brasil.

O risco operacional vai passar a consumir capital. Para o BPN, o impacto esperado será de R$ 800 mil em 2008 em um crescente até R$ 4 milhões no final de 2009. As novas regras de marcação a mercado podem afetar as operações de proteção financeira (hedge) contra oscilação no câmbio do BPN Brasil, principalmente no que diz respeito a descasamento de prazos, conta Fortuna Stouthandel.

O banco quase não tem posição proprietária e faz hedge de todo o seu passivo cambial. "O hedge está caro hoje", diz Catraio. Por isso, a meta é ampliar a dívida em reais de forma a reduzir o custo de captações. Do total de captações de R$ 311,065 milhões do BPN no final de junho, R$ 76,044 milhões (24,45%) eram em depósitos no mercado interno e R$ 170,38 milhões eram captações externas. No final do ano passado, os depósitos em reais representavam 21,87% do total.

No mercado externo, de acordo com Catraio, a idéia é continuar a buscar linhas de organismos multilaterais e agências de crédito à exportação, que querem ampliar suas relações com as pequenas e médias empresas no Brasil. Em setembro do ano passado, o BPN recebeu US$ 30 milhões da Corporação Interamericana de Investimentos (CII), braço financeiro do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Captou US$ 10 milhões em 2007 e outros US$ 10 milhões no primeiro semestre, sob o guarda-chuva do BID. O banco participa também do programa de estímulo ao comércio exterior da International Finance Corporation (IFC), braço financeiro do Banco Mundial.

Valor Econômico - Cristiane Perini Lucchesi                      

 


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Carlos Catraio, presidente do BPN Brasil: "Somos um banco de crédito: queremos dar lucro, mas ter um crescimento sólido, gradativo e cauteloso nas provisões"