09/05/2006
BPN Brasil cria banco de investimento.
São Paulo, 9 de Maio de 2006 - O Banco Português de Negócios (BPN) do Brasil acaba de criar um banco de investimento, para atuar em fusões e aquisições, aconselhamento de empresas brasileiras interessadas em acessar mercados internacionais (para empreendimentos ou levantamento recursos em bancos estrangeiros); e de empresas portuguesas interessadas na aquisição de ativos no Brasil. Para tocar o novo negócio, Carlos Catraio, presidente do banco desde fevereiro, contratou no mês passado Roberto Perez, que até março último estava no HSBC.
Antes da criação do novo banco, as operações desse tipo eram realizadas aqui pelo Efisa, um dos principais bancos de investimento de Portugal, também do grupo BPN. "Agora, vamos atuar em conjunto", diz Catraio. "Temos cerca de meia dúzia de mandatos em andamento", informa Perez, sem contudo revelar nomes nem números. Mas o executivo dá uma pista: no caso de negócios internacionais, a maioria é dos setores imobiliário e turístico, onde o investidor português tem grande interesse. "Os empresários brasileiros, sabendo que temos vínculo com Portugal, procuram o banco porque conhecem o interesse dos portugueses em projetos desses setores", explica Catraio.
Segundo o executivo, o banco vai atender principalmente empresas pequenas e médias. "Os bancos de invesimento estrangeiros no Brasil só realizam negócios acima de R$ 1 milhão", diz. "E as butiques (escritórios de consultores independentes, a maioria vindos de bancos de investimento) são competentes, mas muito especializadas". Catraio diz ainda que dada a estrutura enxuta do BPN, uma das vantagens para empresas menores é o acesso direto aos executivos.
O BPN está no Brasil desde 2002, quando comprou a carta-patente do Itaú Bankers Trust. Até o ano passado, estava limitado a fornecer funding para lojistas realizarem crédito direto ao consumidor. Com a contratação de Catraio, o banco mudou de foco. "Queremos ser o primeiro banco estrangeiro a priorizar pequenas e médias empresas", diz. O banco também pretende realizar financiamento ao comércio exterior entre empresas brasileiras e países "lusofônicos" - que falam a língua portuguesa - principalmente Angola.
O BPN é parte do grupo português Sociedade Lusa de Negócios, com 400 investidores. Segundo Catraio, nenhum deles tem mais de 5% das ações, mas um grupo de cerca de 40 sócios detém o controle. O grupo, criado no começo dos anos 90, era voltado para empreendimentos fora da área financeira, mas decidiu criar um banco completo voltado a pequenas e médias empresas. Hoje, ocupa entre o 6º e 10º lugar no ranking dos maiores (conforme o critério - ativos, depósitos ou patrimônio líquido). Tem uma rede de 200 agências no país e na França. O Efisa foi comprado em 2002, do banco Warburg. O BPN em Portugal tinha ativos de ? 4,5 bilhões e patrimônio de ? 500 milhões, em dezembro.kicker: Investidor português tem grande interesse nos setores imobiliário e turístico; prioridade é para pequenas e médias empresas
Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 1 - Léa De Luca
